sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Cor do Saber - Entender o Racismo na Educação

Entender o Racismo na Educação

Para entendermos o racismo na educação antes de mais nada deve-se buscar o entendimento da sociedade brasileira, uma sociedade racista e irônica. A ironia está no simples fato dessa sociedade não se reconhecer racista durante longas décadas e hoje, apesar do avanço nesse reconhecimento acusa-se o negro de também ser racista.

Racismo é preconceito contra qualquer que seja a “raça” de um determinado indivíduo. Entretanto, não é apenas isso, trata-se de uma situação de poder sobre o outro. No Brasil ser índio,“mulato”, “moreno” e outros termos que diferencie o ser preto, é um privilégio. Portanto, chamar um branco com qualquer termo pejorativo jamais o inferiorizará. Nesse sentido não há racismo por parte do negro contra o branco. Pois não existe dominação do negro sobre o branco.

Outra questão levantada é o fato do negro “não se aceitar” enquanto negro. Ser negro nesse país nos dias atuais é uma questão política, de consciência da exploração sofrida por este grupo étnico. O indivíduo que não nasceu com a pele preta, imediatamente se une á ala dos não negros. Usando roupas de brancos, escutando músicas de brancos, agindo como um branco. Estas pessoas não podem ser consideradas racistas, logo que, sua condição não é de poder sobre outra etnia. Sem falar que esta atitude se justifica ao fato de que a vida se torna bem mais fácil se você fizer o que a maioria faz ou seguir as regras da maioria.

Durante séculos divulgava-se que aqui negros e brancos viviam em perfeita harmonia. Fato desmistificado ao analisar os dados de desigualdade social e até mais simples é só ligar a televisão e logo percebemos a ausência de negros nos programas televisivos. Quando não, estes são retratados como empregadas, pobres, bandidos, alcoólatras etc. Ao analisar um livro didático encontramos ilustrações de africanos (egípcios) retratados como brancos, homens “primitivos” na África como brancos, há centenas de páginas sobre a história dos brancos e poucas unidades sobre os negros (isto quando há).

Agora, se a Escola nada mais é que uma instituição inserida nesse contexto, o que esperar se não atitudes racistas em contra posição ao anti-racismo de alguns? Talvez possa soar pessimista ou até maniqueista, mas longe disso, entender essa relação de contradições e lutas dentro dos vários setores da sociedade faz com que a visão do problema seja mais ampla. É perceber que mesmo nos setores da classe operária o negro é discriminado e se este ascender à classe burguesa também será discriminado.

Para os negros e todos aqueles que já se libertaram da ignorância do racismo há duas lutas a combater, o da igualdade racial e o da igualdade social. E o acesso aos códigos dominantes nesse caso não resolveriam o problema do racismo, já que a Escola é racista e transmitirá a visão carregada de senso comum e inverdades sobre a negritude. Há que se criar uma Escola que ensine o pensar e a criticidade.

Claro que esta ideia não é a solução nem para a desigualdade social e nem para o racismo, pois, a educação é apenas um setor dentro de um conjunto enorme chamado sociedade. Porém, o mesmo indivíduo que hoje é o aluno, amanhã será parte do Clero, da Justiça, do Estado e assim sendo outros setores terão esta consciência de “classe sócio-racial”.

por Marcos Spitzer

CARNEIRO, Maria L. Tucci. O Racismo na História do Brasil.

MUNANGA, Kabengele. Para Entender o Negro no Brasil de Hoje.

Antonio Gramsci, Pedagogo da Emancipação das Massas. Revista Nova Escola. Junho/Julho-2004.

Um comentário:

Keith disse...

oi professor marcos dei uma olhada no seu blog.....parabens esta lindo....nunca vi um blog sobre a africa tão legal e facil de intender .....o senhor alem de um otimo professor sabe como colocar oq pensa....

PARABENSSSSSS...........
ass:KEITH DOS SANTOS BUENO 8ªC
da escola philó gonçalves dos santos
PERUS